terça-feira, 25 de outubro de 2016

BUSCA OU ENTENDIMENTO?


A Busca se baseia em alguma razão, o Entendimento não tem nenhuma!
A Busca tem esforço e propósito, o Entendimento é espontâneo e sem esforço!
O Entendimento está ausente na busca, enquanto o “buscador” está ausente no Entendimento!
A busca é formada por buscador, buscar e buscado, ao passo que esta trindade está completamente ausente no Entendimento!
A Pesquisa consiste de pesquisa, pesquisador e pesquisado, o Entendimento nega o próprio “pesquisador”!
A Busca é formada por fases, intervalos e talvez algumas práticas, ao passo que o Entendimento é eterno e ocorre apesar disso!
A Busca tem um objetivo, ao passo que o Entendimento em si não possui objetivo.
A Busca tem apoio de ouvir, ler ou refletir, enquanto o Entendimento é autossustentável (independente)!
O temor de esquecer o conhecimento acumulado prevalece na Busca, enquanto até mesmo  o pensamento de ter compreendido está ausente no Entendimento!
O cenário da Busca é a dualidade, enquanto o Entendimento é não-dualidade sem cenário!
A Busca é  um estado sempre mutável, ao passo que o Entendimento é um estado sem estado!
Na Busca existe o cadeado e ocorre a pesquisa pela chave, enquanto no Entendimento prevalece a convicção clara de que cadeado e chave nunca estiveram separados!

Jai Guru – NITIN RAM  (Livro Nada é Tudo de Mohan Gaitonde).


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Felicidade: Liberte a sua “criança interior"!

Quando se trata de felicidade não é necessário ler muitos livros, assistir a uma centena de workshops ou tirar um curso, basta observar e aprender com os maiores peritos em felicidade: as crianças.
O estado natural de uma criança é sorrir, basta estar junto de uma criança durante alguns minutos para ficar contagiado com a sua alegria. Claro que as crianças também se irritam, mas até aqui pode-se aprender uma ou duas coisas sobre a forma como elas rapidamente esquecem o motivo que as levou a alterarem o seu estado de humor. É normal que quando se passa algum tempo com uma criança se comece a recordar de quando você também era criança e da vida simples e livre de preocupações que levava.
A procura da felicidade é levada a cabo por quase todos os adultos, fique então com algumas lições que as crianças lhe podem ensinar:
Viva no presente
As crianças tem uma forma fantástica de viver a sua vida, vivem apenas um momento de cada vez. Os seus sentimentos são normalmente reflexo de um acontecimento que foi despontado num espaço temporal bastante reduzido, ou seja os seus sentimentos apenas refletem aquilo que lhes está a acontecer naquele momento. Por vezes tem pensamentos negativos, mas é normalmente por disputas relativas aos seus brinquedos, no entanto sempre que se distraem com alguma coisa nova rapidamente se libertam desses pensamentos e emoções.
Nós como adultos temos a tendência de nos mantermos chateados e revoltados bastante tempo depois de a ação que despontou esses sentimentos ter passado. Somos peritos em acumular ressentimentos e preocupações, o resultado é que vivemos mais o passado do que o presente. Neste caso é compreensível que não nos sintamos felizes, quando para nós o presente praticamente não existe e as coisas boas que vão acontecendo permanecem em segundo plano.
Mantém-te focado naquilo que está a fazer
Quando uma criança está entretida com uma qualquer brincadeira ela está APENAS e totalmente concentrada nessa atividade e para ela nada mais importa. Ela não está ao mesmo tempo a pensar no que vai fazer a seguir nem naquilo que devia ter feito.
Os adultos costumam andar permanentemente estressados porque mantém ativas na sua mente atividades passadas e futuras sem se aperceberem que aquilo que verdadeiramente interessa é o que estão a fazer nesse momento. O futuro ainda está para vir e o passado já passou não se pode mudar, apenas podemos ter uma ação efetiva sobre aquilo que estamos a fazer.
Usa a imaginação
Todas as crianças usam e abusam da imaginação, quer estejam a brincar ou a fazer um desenho. Adoram “fazer de conta” e ficam sempre super encantadas com histórias de magia e coisas que são humanamente impossíveis. Mas se pensar um pouco nisso a imaginação é a semente para a alegria. Quando você se deixa levar pelos seus sonhos, são libertadas endorfinas no seu organismo que lhe dão uma sensação de prazer, quase como se já estivesse a viver aquilo que sonha.
É engraçado que em adulto nos esqueçamos de usar a nossa imaginação. Na escola fomos ensinados a ser mais analíticos e a deixar de parte a imaginação. Isso fez com que ficasse-mos mais rígidos em relação aquilo que fazemos e às coisas que achamos possíveis e atingíveis. E quando as coisas não acontecem de acordo com o esperado ficamos chateados, estamos menos suscetíveis a novas possibilidades, tudo porque fomos perdendo a nossa capacidade imaginativa.
O céu é o limite
Para uma criança tudo na vida é possível. O céu é o limite, tem toda a sua vida pela frente e ainda não foram limitados a ficar conformados com o “possível” e “alcançável”, para uma criança basta sonhar e esperar que o sonho se concretize.
Lembra-te que nunca é tarde demais, podes ter 50, 60, 70 ou 120 anos, nunca é tarde demais para realizar os teus sonhos. Basta para isso que não permitas que te digam que não é possível ou que o teu tempo já passou, não deixes que os outros limitem as tuas ações. Nem muito menos te deixes conformar com o que tens, procura sempre realizar os teus sonhos. Vive sobre o lema, “alcançar o sonho ou morrer a tentar”, vais ver que qualquer que seja o obstáculo será muito mais fácil sorrir quando sentes que estás no caminho certo.
        Dá mais valor às coisas simples da vida
As crianças estão sempre alegres porque encontram divertimento em todas as coisas, mesmo nas mais simples. Uma criança fica entusiasmada apenas com uma simples borboleta ou quando salta para uma poça de água. Elas não perdem tempo a analisar as situações nem assumem o pior nas pessoas nem nas mais estranhas situações. As crianças mantém as coisas o mais simples possível.
A melhor forma de valorizar aquilo que tens é fazer uma lista com tudo o que tens na tua vida pelo qual estás agradecido. Tenta lembrar-te daquelas coisas simples mas que sem as quais tu não te sentirias feliz. Normalmente é das coisas mais simples que sentimos mais falta quando passamos muito tempo longe de casa ou quando nos separamos de alguém que nos faz sentir feliz. Ser agradecido por tudo o que já temos é um grande passo para te sentires muito mais feliz.
Cultiva bondade interior e confiança nos outros
Todas as crianças têm uma intrínseca bondade e inocência. Elas não fazem nada com intenção de magoar ninguém nem pensam que alguém a queira magoar. Sem esse tipo de intenções ou preocupações é fácil estar apenas alegre durante todo o dia.
Imagina como seria o mundo se todos nós pudéssemos trabalhar em conjunto com confiança mútua. Os adultos deveriam aprender com as crianças e colocar de lado as suas diferenças e olharem uns pelos outros. O amor gera felicidade.
Tem plena confiança em ver concretizados os teus desejos
É incrível a confiança que as crianças têm de que os seus desejos serão concretizados. Por diversas vezes vi uma simples criança dominar completamente um adulto com a sua persistência e sem nunca desistir de acreditar que vai conseguir os seus intentos. Acreditem que não é fácil resistir aos seus olhares profundos nem aos seus sorrisos rasgados, acabamos sempre por ceder.
Será que os adultos acreditam da mesma forma de que os seus sonhos serão realizados? Provavelmente não. Estamos demasiado viciados em preocupações desnecessárias e as nossas crenças limitam as nossas possibilidades. Mais uma vez aprende a viver sob o lema “alcançar o sonho ou morrer a tentar”, não se limite. Acreditar que é possível faz com que passe a ser possível. Apenas depende de ti, todas as coisas que existem tiveram início no pensamento de alguém.
Sumamente, para alcançar a verdadeira felicidade, temos de deixar a criança que existe em nós assumir o controle. Estar junto das crianças ajuda. Ao revelar a criança que tens em ti vais começar lentamente a deixar de necessitar carregar o fardo do stress e das preocupações. Vais sentir-te muito mais leve em busca da felicidade e verás que ela surgirá por si na tua vida.
Fonte: Blog:neurocrescimento Via: (Portal Arco Iris – Fátima dos Anjos).

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

LEI DA RENOVAÇÃO!

“É necessário, de tempos em tempos, esvaziar as gavetas do coração”, me disse o Velho, como carinhosamente chamávamos o monge mais antigo do mosteiro. Ele tinha me convidado para um passeio pela floresta, localizada nos arredores, ao perceber a minha inquietação e irritabilidade com os demais monges e discípulos da Ordem. Uma nova situação familiar tinha trazido à tona lembranças desagradáveis que alteraram o meu humor no trato para com todos e a minha paz para comigo mesmo. Reclamei bastante da maneira como algumas pessoas tinham me magoado no passado. Ele me olhou com sua enorme compaixão e disse: “O ressentimento cria uma verdadeira algema energética que te mantém atado ao ofensor em uma terrível prisão sem grades. A mágoa entope de sujeira o seu armário sagrado, o coração. A raiva envenena as águas que abastecem a fonte da vida, o amor”. Deu uma pequena pausa e concluiu: “É impossível ser feliz sem perdoar”.
Argumentei que eu já tinha perdoado, porém me negava a esquecer para não permitir que me magoassem de novo. O Velho riu com vontade quando falei isso, o que me trouxe ainda mais irritação. Depois, olhou como se mirasse uma criança e me instigou: “Você não conhece o perdão”. Falei que ele estava enganado, pois eu não desejava nenhum mal àqueles que me ofenderam e, assim, eu decretara o perdão. O Velho balançou a cabeça em negação e disse: “Não, Yoskhaz. Não desejar o mal é o primeiro degrau até o perdão; depois limpamos os escaninhos da alma até esquecermos a ofensa; por fim, desejamos o bem do agressor. Este é o percurso até o perdão”.
Ri com sarcasmo. Falei que ele colocava as coisas em níveis utópicos ou dificílimos. A voz do monge teve um tom misericordioso em resposta: “Não disse que era fácil. Falei o que é necessário. Amar apenas os que nos amam, os embrutecidos também conseguem. É preciso mais”. Fez uma pequena pausa e prosseguiu: “Atravessar o Caminho não é para fracos; aparar as arestas do ser, não é para os acomodados; conhecer a si próprio é para os sábios; realizar as transformações necessárias para a indispensável cura da alma não é para os mimados; iluminar as próprias sombras é batalha destinada aos grandes guerreiros; conhecer verdadeiramente o amor é destinado apenas aos fortes”. Deu uma longa pausa, seu olhar pareceu distante como recordasse de algo e falou: “Ser forte é uma escolha que fazemos todos os dias e está à disposição de todos e de qualquer um”.
Esbravejei que ele não sabia o que falava, pois eu não tinha sido apenas agredido, mas também humilhado. O Velho abriu os braços como quem diz que eu não sabia o que falava. Depois explicou com paciência: “Ser humilhado é uma permissão que você concede indevidamente ao agressor pelo simples fato de ainda não dominar a virtude da humildade em todo o seu infinito poder. Só o orgulhoso pode ser humilhado. Só o arrogante pode ser humilhado. Apenas o vaidoso pode ser atingido por esse mal. O antídoto para tal veneno é a humildade. Ser humilde é aceitar ser o menor de todos para perceber as próprias dificuldades e, assim, entender a escuridão do mundo e, consequentemente, do ofensor. A violência, física ou verbal, é o perfeito retrato das sombras que dominam o coração do agressor. Na verdade, o perfeito olhar mostra o violento se humilhando diante do Universo em pedido velado de ajuda. A ofensa é a máscara dos desesperados, dos perdidos nas sombras da existência. Toda pessoa agressiva é profundamente infeliz. A agonia é tão grande que se faz necessário extravasar. Ele acredita que pode transferir a sua tristeza, sem perceber que a escuridão não tem o poder de apagar a luz”.
“A violência é a linguagem incompreendida dos que sofrem”.
“Então, é a hora de oferecer a outra face em digna interpretação e exercício das palavras do Mestre, olhando o ofensor pelo prisma da compaixão, pois ele é apenas um sofredor que, no fundo, não entende o que se passa consigo. Só assim, nos aceitando como pequenos, nos tornamos grandes, imunizando o vírus da humilhação. Não à toa, a humildade é o primeiro portal do Caminho, a impedir que nada ou ninguém lhe furte a preciosa paz”.
“Permitir que a ofensa o atinja, magoe e humilhe é aceitar o convite para dançar no baile dos horrores que domina a alma do agressor. Encare-o com os olhos da compaixão e perceba que suas palavras e atos apenas espelham o desequilíbrio que o faz ser violento e injusto contigo. Já pensou o quanto de dor corrói o coração da pessoa que necessita da violência nos seus relacionamentos? O quão sombrio é a mente dos brutos? Quantas tormentas levam a nave existência desse indivíduo a sucessivos naufrágios nas tempestades da dor? Eles estão afogados nos mares da ignorância, do medo e das próprias trevas, a clamar de estranha maneira pelas boias da gentileza, pelo socorro da misericórdia, a beleza da compreensão, a grandeza da bondade e o bálsamo da paciência. A violência é incompatível com a felicidade. A escolha desse olhar sofisticado é a diferença entre os andarilhos do Caminho e aqueles que ainda vagueiam perdidos nas estradas vicinais da vida”.
“Entre as leis que compõe o Código Não-Escrito, que regula a jornada de todos pelo Universo, existe a Lei do Amor, dos Ciclos, da Ação e Reação, da Afinidade, da Evolução, das Infinitas Possibilidades, entre outras. Lá encontramos também a Lei da Renovação. Para iniciar um novo ciclo, ainda nesta existência, o andarilho tem que preparar a sua bagagem. Não se esqueça que leveza é indispensável para atravessar o Caminho. Assim, temos que deixar para trás tudo aquilo que não nos serve mais, que se faz desnecessário ou pesa demais. Acúmulos materiais excessivos, lixos emocionais, mágoas, preconceitos, condicionamentos sociais e culturais, ideias obsoletas, atitudes ultrapassadas, reações automatizadas, ou seja, todas as velhas formas, devem ser transmutadas. Para tanto, lembre de abrir todas as gavetas do coração e iluminar os seus cantos mais profundos em busca das sombras escondidas que insistem em nos enganar sobre as absurdas vantagens do revanchismo ou da ilusão de proteção. É indispensável limpar com uma vassoura de Luz todo e qualquer resquício de ressentimento, a poeira do ódio e as manchas da raiva”.
“A renovação é o justo passo anterior à transformação que alavanca a evolução; é amor e sabedoria em perfeita comunhão; é a alquimia de transformar chumbo em ouro dentro de si; é a metamorfose para as asas que te levarão além das fronteiras da dor e do sofrimento”.
Ainda inconformado, questionei sobre aqueles que me feriram. Falei que eles não poderiam ficar impunes, como se não tivessem me feito mal nenhum. Os olhos do Velho ficaram mareados. Talvez por entender a minha dor, talvez por conhecer a alma humana. Ou por ambas as coisas. Ele me falou com bondade: “Não se preocupe com as lições que cabem aos outros. A cada qual os ensinamentos que lhe são pertinentes, no tempo oportuno, com a doçura ou o rigor adequado ao empenho do aluno. A você cabe se aplicar às próprias lições, oferecer o seu melhor a cada dia, por onde passar. E amanhã um pouco mais, em razão da consciência sempre em expansão. Ninguém, absolutamente ninguém, ficará além do alcance das Leis Não Escritas. O Universo não abdicará de nenhuma alma, pois todas têm igual importância, sem privilégios ou esquecimentos. Lembre-se apenas de todas as dificuldades e problemas que você já enfrentou no passado e como eles te ajudaram a se transformar e a evoluir através de seus valiosos ensinamentos. Agradeça por todas as dores e alegrias”.
Argumentei que poderia haver, ao menos, um pedido de desculpas por parte do agressor. Ficaria mais fácil de perdoar. O Velho arqueou os lábios em sorriso e disse: “Sem dúvida que ficaria mais fácil, por isto o perdão ganha ainda mais força e poder quando é ato unilateral. O perdão é a farmácia do sofrimento e você não precisa esperar pela permissão do outro para se curar. Ninguém pode depender de ninguém para ser feliz, para seguir a sua jornada, para voar. A capacidade de perdoar define a exata grandeza de uma alma. Perdoamos independentemente do que os outros pensam. Perdoamos para libertar, a nós e aos outros”.
Eu disse que ele tinha razão e que de alguma maneira a minha alma já clamava por essa renovação. A mágoa pesa, o ressentimento cansa. Então, chorei muito. De soluçar. O Velho aguardou pacientemente que as lágrimas lavassem a minha alma. Depois em catarse, fui falando todas as situações do passado que me incomodavam, exorcizando-as do meu coração. Falei de como era boa a sensação de faxinar a alma, de zerar a conta para seguir com leveza. O Velho me alertou: “Você viu a porta, falta atravessá-la. Essas emoções densas estavam no comando e você retomou o poder que havia concedido a elas. Agora terá que transmutá-las, em incessante trabalho de refinamento do pensar e do sentir, para que elas, sempre sorrateiras, não voltem. Para tanto, precisa exercitar a magia da renovação, todos os dias, para sempre”. Balancei a cabeça em concordância e disse que me sentia bem por não precisar mais carregar nas costas a pesada mochila do sofrimento. Agora eu percebia a razão da sua completa inutilidade. Disse que entregaria à Inteligência Cósmica a aplicação da devida justiça. Ele me explicou: “Tenha desprendimento por qualquer sentimento de vingança ou não terá se libertado de verdade. Não acontecerá qualquer situação rasa de revanche. Justiça não é punição, é tão somente a educação para que todos possam aprender, se transformar, compartilhar e seguir. Este é o processo evolutivo. Se alguns precisam de lições mais severas para aprender, é apenas porque o Universo não desistirá de nenhum de nós, qualquer que seja o estágio evolutivo. Por puro amor”.
Extraído do blog: yoskhaz

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

NÃO EXISTE RESPOSTA PARA PERGUNTA QUEM SOU EU?



 Quando alguém busca pela raiz
do pensamento “eu”,
O próprio investigador é exposto
e evidenciado como um mito.
Isso resulta na dissolução
do sentimento de separação
e o reconhecimento final da Verdade,
o pano de fundo, sem imagens,
de todas as aparências.
A Pura Consciência é o Imutável,
No qual tudo surge
e é percebido
como um jogo efêmero .

Diálogos com Mooji

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O CORPO DE DOR...

No caso da maioria das pessoas, quase todos os pensamentos costumam ser involuntários, automáticos e repetitivos. Não são mais do que uma espécie de estática mental e não satisfazem nenhum propósito verdadeiro. Num sentido estrito, não pensamos- o pensamento acontece em nós.

“Eu penso” é uma afirmação simplesmente tão falsa quanto “eu faço a digestão” ou “eu faço meu sangue circular”. A digestão acontece, a circulação acontece, o pensamento acontece.

A voz na nossa cabeça tem vida própria. A maioria de nós está à mercê dela; as pessoas vivem possuídas pelo pensamento, pela mente. E, uma vez que a mente é condicionada pelo passado, então somos forçados a reinterpretá-lo sem parar. O termo oriental para isso é carma.

ego não é apenas a mente não observada, a voz na cabeça que finge ser nós, mas também as emoções não observadas que constituem as reações do corpo ao que essa voz diz.

A voz na cabeça conta ao corpo uma história em que ele acredita e à qual reage. Essas reações são as emoções.

A voz do ego perturba continuamente o estado natural de bem-estar do ser. Quase todo corpo humano se encontra sob grande tensão e estresse, mas não porque esteja sendo ameaçado por algum fator externo - a ameaça vem da mente.

O que é uma emoção negativa?

É aquela que é tóxica para o corpo e interfere no seu equilíbrio e funcionamento harmonioso.

Medo, ansiedade, raiva, ressentimento, tristeza, rancor ou desgosto intenso, ciúme, inveja - tudo isso perturba o fluxo da energia pelo corpo, afeta o coração, o sistema imunológico, a digestão, a produção de hormônios, e assim por diante.

Até mesmo a medicina tradicional, que ainda sabe muito pouco sobre como o ego funciona, está começando a reconhecer a ligação entre os estados emocionais negativos e as doenças físicas.

Uma emoção que prejudica nosso corpo também contamina as pessoas com quem temos contato e, indiretamente, por um processo de reação em cadeia, um incontável número de indivíduos com quem nunca nos encontramos. Existe um termo genérico para todas as emoções negativas: infelicidade.

Por causa da tendência humana de perpetuar emoções antigas, quase todo mundo carrega no seu campo energético um acúmulo de antigas dores emocionais, que chamamos de “corpo de dor”. 

O “corpo de dor” não consegue digerir um pensamento feliz. Ele só tem capacidade para consumir os pensamentos negativos porque apenas esses são compatíveis com seu próprio campo de energia.

Não é que sejamos incapazes de deter o turbilhão de pensamentos negativos - o mais provável é que nos falte vontade de interromper seu curso. Isso acontece porque, nesse ponto, o “corpo de dor” está vivendo por nosso intermédio, fingindo ser nós. E, para ele, a dor é prazer. Ele devora ansiosamente todos os pensamentos negativos.

Nos relacionamentos íntimos, os “corpos de dor” costumam ser espertos o bastante para permanecer discretos até que as duas pessoas comecem a viver juntas e, de preferência, assinem um contrato comprometendo-se a ficar unidas pelo resto da vida.

Nós não nos casamos apenas com uma mulher ou com um homem, também nos casamos com o “corpo de dor” dessa pessoa.

Pode ser um verdadeiro choque quando - talvez não muito tempo depois de começarmos a viver sob o mesmo teto ou após a lua-de-mel – vemos que nosso parceiro ou nossa parceira está exibindo uma personalidade totalmente diferente. Sua voz se torna mais áspera ou aguda quando nos acusa, nos culpa ou grita conosco, em geral por uma questão de menor importância.

A essa altura, podemos nos perguntar se essa é a verdadeira face daquela pessoa – a que nunca tínhamos visto antes - e se cometemos um grande erro quando a escolhemos como companheira. Na realidade, essa não é sua face genuína, apenas o “corpo de dor” que assumiu temporariamente o controle.

Seria difícil encontrar um parceiro ou uma parceira que não carregasse um “corpo de dor”, no entanto seria sensato escolher alguém que não tivesse um “corpo de dor” tão denso.

O começo da nossa libertação do “corpo de dor” está primeiramente na compreensão de que o temos.

É nossa presença consciente que rompe a identificação com o “corpo de dor”. Quando não nos identificamos mais com ele, o “corpo de dor” torna-se incapaz de controlar nossos pensamentos e, assim, não consegue se renovar, pois deixa de se alimentar deles. Na maioria dos casos, ele não se dissipa imediatamente.

No entanto, assim que desfazemos sua ligação com nosso pensamento, ele começa a perder energia.

A energia que estava presa no “corpo de dor” muda sua frequência vibracional e é convertida em “Presença”. 

Autoria: Eckhart Tolle
 via Portal do Arco Íris 


segunda-feira, 8 de agosto de 2016

VALORIZANDO O AGORA!

Um dos principais objetivos dos exercícios de meditação é sentir mais paz, mais alegria, mais amor e felicidade na sua vida atual, no momento presente. Usufruir a vida agora.
Pode parecer um paradoxo que a meditação com os exercícios de regressão nos façam tomar uma consciência mais aguda do presente, mas é verdade. Isto acontece porque as pessoas se tornam mais capazes de concentrar-se no momento que estão vivendo. Por um lado, como a meditação também possui exercício de atenção focalizada, sua pratica regular desenvolve em nós a capacidade de concentração no que esta sendo experimentado. Por outro, as lembranças que a regressão é capaz de nos trazer rompem as amarras que nos prendem. Temos tendência a remoer o passado, a culpar-nos pelas falhas que cometemos, a apagarmos o que foi vivido. Além de nos impedir de usufruir mais plenamente o que o momento presente nos oferece, esse apego é absolutamente inútil para resolver qualquer problema. Com as lembranças que nos vêm na regressão, descobrimos para que serve o passado: aprendemos com ele e acumulamos sabedoria com as experiências vividas, podendo então viver melhor no presente.
O mesmo acontece em relação ao futuro. Da mesma forma como remoer o passado é inútil, descobrimos que não adianta nos preocuparmos com o futuro, pois a preocupação não muda o que virá a acontecer. Planejar o futuro é absolutamente necessário para não ficarmos ao sabor dos acontecimentos ou do desejo dos outros, mas preocupar-se com ele é perda de tempo.
Libertando-nos então do peso do passado e da preocupação com o futuro, nós nos tornamos mais capazes de nos concentrar no presente. Porque é no agora que experimentamos a alegria, o amor, a paz de espírito, é nele que contemplamos a beleza das manifestações da natureza e dos pequenos gestos humanos, é ele que nos abastece de alegria e esperança.

História da xícara de chá:
Se ao tomar o chá, estamos presos ao passado ou preocupados com o futuro, deixamos de sentir o prazer do calor da xícara, do perfume que emana a infusão, desperdiçamos a delicia do seu sabor. Perdemos o prazer do momento presente. Quanto mais somos capazes de usufruir o momento presente, mais experimentamos a plenitude da vida.


BRIAN WEISS

sexta-feira, 29 de julho de 2016

QUEM SOU EU?
Aquele que quiser perguntar “Quem sou eu?” não deve ir ate ninguém. Deve sentar-se em silêncio e fazer a pergunta no fundo do seu próprio ser. Deixe a pergunta reverberar. Não verbalmente. Existencialmente, deixe a pergunta ficar lá como uma flecha que perfura o coração, “Quem sou eu?”, e acompanhe a pergunta.
E não tenha pressa de responder a isso, porque, ao responder, essa resposta, provavelmente, terá vindo de outra pessoa, algum padre, algum político, alguma tradição. Não se deve responder a partir da própria memória, porque a memória é toda emprestada. A memória é como um computador, completamente sem vida. A sua memória não tem nada haver com o saber. Ela foi alimentada. Portando, quando alguém perguntar “Quem sou eu?”, e sua memória disser “ Você é uma grande alma”, você deve ficar alerta. Trata-se de uma armadilha. É preciso descartar todo esse lixo, pois é tudo podridão.
Basta continuar a perguntar “Quem sou eu?... Quem sou eu?... Quem sou eu?...”, e um dia vai ser possível perceber que a pergunta também desapareceu. Ficou apenas uma sede: Quem sou eu?” Não realmente uma pergunta, mas uma sede, ou seja, todo o seu ser pulsando com a sede: Quem sou eu?”
E um dia a pessoa vai perceber que nem ela mesma esta lá: há apenas a sede. E nesse estado intenso e apaixonado do seu ser, de repente, ela percebe que algo explodiu. De repente ela fica cara a cara consigo mesma e não sabe quem ela é.
Não tem como perguntar ao próprio pai: Quem sou eu?” Ele próprio não sabe quem ele é. Não tem como perguntar ao avô ou ao Bisavô. E não se deve perguntar! Não se deve perguntar a mãe, à sociedade, à cultura, à civilização. Deve-se perguntar ao âmago mais profundo.
Se a pessoa realmente quiser saber a resposta, deve buscar em seu interior, e é a partir dessa experiência interior que a mudança acontece.
Você pergunta: “Como posso mudar isso?” Você não pode mudar isso. Primeiro é preciso encarar sua realidade, e é exatamente esse confronto que vai mudar você.
(“Fundamentos para uma nova humanidade - O livro do ego, liberte-se da ilusão- OSHO).